Ontem ao ler 'Até que a morte nos separe' no Cabaré do Goucha - abordagem à violência doméstica - fiquei angustiada e tal como ele questiono o porquê! Questiono, porque não sei o que é viver numa situação em que a agressão é algo presente no dia a dia. Será que numa relação não é visível a atitude do nosso parceiro? Não vemos os sinais que possam levar a tais atos? É arrepiante pensar que há mulheres que vivem assim diariamente. Não é só a agressão física, acredito que a verbal e psicológica fira e crie marcas muito mais profundas que as físicas. Porquê? Quando começa? Quais as razões? O que mais me assusta é saber que há vítimas que julgam que fizeram algo de errado e que os agressores têm razão em castiga-las. É aterrorizante. Será que quando aparece a primeira agressão física e perdoamos estamos a tornar a situação presente? Estamos a deixar que os agressores tenham controlo sobre nós? Por vezes penso o que faria em tal situação e infelizmente não sei a resposta, não sei. Não sei, porque nunca vivi tais atos e não sei, porque acho que não daria azo a tais atos ou penso que não o daria. Não acredito na fraqueza das vítimas, acredito antes que os agressores tomaram as rédeas da vida delas e que é algo tão assustador que é difícil sair das amarras duma (não)relação assim. Acho que muitas vítimas têm medo de perderem alguma da (não)estabilidade que (não)têm porque não sabem o que o futuro lhes reserva. Não sei o que é. Nunca passei por tal. E espero não vivenciar nada do género, porque duma coisa eu sei, num caso desses eu iria 'meter a colher entre o casal', embora soubesse que poderia ter a vítima contra mim, acho que é meu dever enquanto cidadã não deixar estes casos acontecerem.
Hoje rezo ara que essas mesmas vítimas consigam arranjar coragem e libertarem-se das amarras que as prendem.
Um beijo para VOS
